Um vento repentino levou seus cabelos para trás. Olhou para os lados. Um ventilador refrescava sua cabeça superaquecida após a discussão.
Era como se sua cabeça tivesse sido aberta e o vento limpasse todo o estrago que aquela relação fizera. Foi então que acordou de seu estado e percebeu que o ventilador não existia.
Percebeu que era o amor que esfriava dentro do seu coração.
E seu sangue congelou...
segunda-feira, 14 de julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Two Serial
Chovia forte.
As grossas gotas de água o machucavam. Ou era essa a desculpa que ele inventava para as feridas em seu rosto.
Feridas que ele jurava serem físicas, mas seu rosto permanecia imaculado.
Pensar na madrugada anterior o fizera acreditar que pegar uma pneumonia e morrer era a melhor solução. Como o começo do outono, que não sabe se é frio ou quente, sua mente oscilava entre o remorso e a admiração. No momento em que as gotas batiam nele, o remorso era sua salvação...
Saíra da praia com a sensação de que fizera o que era certo. Parou. Teve a impressão de estar sendo seguido. Olhou para trás. Nada viu naquela escuridão. Entrou em uma padaria para disfarçar. Teve a certeza então, depois de muito pensar, que palavras podiam matar.
Sentou-se e pediu dois pratos de cereal.
As grossas gotas de água o machucavam. Ou era essa a desculpa que ele inventava para as feridas em seu rosto.
Feridas que ele jurava serem físicas, mas seu rosto permanecia imaculado.
Pensar na madrugada anterior o fizera acreditar que pegar uma pneumonia e morrer era a melhor solução. Como o começo do outono, que não sabe se é frio ou quente, sua mente oscilava entre o remorso e a admiração. No momento em que as gotas batiam nele, o remorso era sua salvação...
Saíra da praia com a sensação de que fizera o que era certo. Parou. Teve a impressão de estar sendo seguido. Olhou para trás. Nada viu naquela escuridão. Entrou em uma padaria para disfarçar. Teve a certeza então, depois de muito pensar, que palavras podiam matar.
Sentou-se e pediu dois pratos de cereal.
sábado, 28 de junho de 2008
Tomada quatro E
Ela olhou para cima e viu o mundo cair sobre ela.
Ergueu os braços tentando proteger sua cabeça.
Era inevitável sua morte.
Enorme foi o esforço que fez para lutar contra a sua mente...
Ergueu os braços tentando proteger sua cabeça.
Era inevitável sua morte.
Enorme foi o esforço que fez para lutar contra a sua mente...
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Tarde
O céu estava azul. Um azul sereno como seus pensamentos.
Ou melhor, como ela gostaria que eles estivessem...
Olhava para cima, como se sonhasse... E não pode assim, deixar de tropeçar algumas vezes.
Como uma aquarela, gotas de água borravam aquele azul celeste... E, por um descuido do artista derramou leves gotas de laranja.
Suspiro.
Sonho inalcançável.
Vida incansável.
Chegou à velhice sem perceber quantas coisas fizera e deixara de fazer, mas seu céu continuava como o daquela tarde que caia no dia em que perdeu a visão e a noção.
Ou melhor, como ela gostaria que eles estivessem...
Olhava para cima, como se sonhasse... E não pode assim, deixar de tropeçar algumas vezes.
Como uma aquarela, gotas de água borravam aquele azul celeste... E, por um descuido do artista derramou leves gotas de laranja.
Suspiro.
Sonho inalcançável.
Vida incansável.
Chegou à velhice sem perceber quantas coisas fizera e deixara de fazer, mas seu céu continuava como o daquela tarde que caia no dia em que perdeu a visão e a noção.
sábado, 14 de junho de 2008
Ansiedade
Suas pernas tremiam, seu sorriso não mais sorria... Ele se aproximou, afastou seus cabelos de seu pescoço e com aquela gélida mão o segurou carinhosamente. Arrepio, ainda ansiosa. Ele a encarou profundamente e ela sustentou o olhar corajosamente. Ele sorriu e ela suspirou. Ele desviou o olhar e ela se decepcionou. Ele ainda segurava seu pescoço. Ela ainda ansiosa. Ele a beijou como nunca beijara ninguém. E se separaram. E nunca mais se viram. Ele ainda tem mãos geladas e ela ainda é ansiosa.
sábado, 31 de maio de 2008
Noite clara, dia escuro
Ela olhava para o céu, sua cabeça lindamente apoiada sobre o travesseiro de grama verde. Pelo menos era o que ele via. Uma pena caiu em sua face.
Uma mão caiu sobre a mesma e retirou-a. Não sem antes fazer cócegas na menina. Um espirro. Um sorriso. Uma risada. E um beijo.
Silêncio.
Nem uma palavra.
O dia nasceu.
Duas palavras.
O dia escureceu.
Tudo acabou.
Uma mão caiu sobre a mesma e retirou-a. Não sem antes fazer cócegas na menina. Um espirro. Um sorriso. Uma risada. E um beijo.
Silêncio.
Nem uma palavra.
O dia nasceu.
Duas palavras.
O dia escureceu.
Tudo acabou.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Cai chuva do céu iluminado
A chuva caía e a marginal já se enchia. Estourando de alegria, a pequena criança corria atrás da bola: suas pernas pareciam pesar, sua calça a molhar soava como uma triste música de fim de tarde.
O sol refletia de forma vermelho-alaranjada a sombra incerta da criança. Assemelhava-se com sangue. A música ainda soava e a bola não pulava mais, era apenas levada pela correnteza. A criança tentava a todo o custo manter as pesadas e molhadas pernas no chão, mas rapidamente foi levada. Sua sombra desapareceu, mas o sol continuou a iluminar todo o dia neste horário o local aproximado da morte da alegria do mundo.
E mais uma vez nada disso apareceu no jornal. A única coisa que apareceu foi o arco-íris "duplo".
O sol refletia de forma vermelho-alaranjada a sombra incerta da criança. Assemelhava-se com sangue. A música ainda soava e a bola não pulava mais, era apenas levada pela correnteza. A criança tentava a todo o custo manter as pesadas e molhadas pernas no chão, mas rapidamente foi levada. Sua sombra desapareceu, mas o sol continuou a iluminar todo o dia neste horário o local aproximado da morte da alegria do mundo.
E mais uma vez nada disso apareceu no jornal. A única coisa que apareceu foi o arco-íris "duplo".
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